A partir de 1952 com o avanço da electrónica Varèse aprofunda na sua obra as qualidades espaciais dos fenómenos sonoros, sobretudo em Poème Eléctronique concebido para o pavilhão Phillips, projectado por Le Corbusier com a colaboração de Xenaquis para a exposição de Bruxelas em 1958. O pavilhão era constituído interiormente por um conjunto de linhas curvas hiperbólicas e parabólicas a partir das quais a música de Varèse era projectada através de 400 fontes sonoras situadas em torno dos visitantes.
Poème Electronique constitui um espectáculo de luz, cor, imagem, ritmo, som, reunidos numa síntese orgânica acessível ao público. A audição musical era acompanhada da projecção de imagens mas sem qualquer vontade de sincronizar o visual com o musical, Le Corbusier e Varèse, procuraram antes criar uma tensão dialéctica de opostos ou o contrário, a força do impacto de raros encontros fortuitos.
Na obra de Varèse a espacialização é entendida através do movimento de planos e de massas sonoras que variam de intensidade e densidade, a projecção no espaço dos “sons organizados” criando uma simultaneidade que substitui a linearidade temporal tradicional.



Par projection j’entends la sensation qui nous est donnée par certains blocs de sons. Je dirais avec plus de bonheur rayons de son, se proche est cette sensation de celle produite par les rayons de lumière émis par un puissant projecteur balayant le ciel. Pour l’oreille, comme pour l’œil, ce phénomène donne un sentiment de prolongation, de voyage dans l’espace.
Edgard Varèse
In Charboniers, Richard, Conversations avec Edgar Varèse, Pierre Belfondo, Paris 1970
Treib, Marc, Space calculated in seconds – The Phillips Pavilion Le Corbusier Edgar Varèse, New Jersey, Princeton University Press 1996