
Salão Árabe
Integrado no Ciclo de Piano do Palácio da Bolsa, assisti no passado dia 4, ao recital de Fausto Neves; e o meu comentário, sem críticas musicais, vai para o acontecimento. Isto porque, não pertencendo por formação à área de música, seria um duplo atrevimento comentar o que não sei, no blogue de uma pianista.
Quero antes de tudo, manifestar o apreço e satisfação que tive ao ouvir Fausto Neves, o que de resto já lho testemunhei, numa programação bem conhecida e tão do meu agrado:
Sonata de Beethoven (Pastoral)
Balada nº4 de Chopin
Kreisleriana de Schumann
Mas já há alguns anos que não ia a recitais no Palácio da Bolsa; e a minha perplexidade estacou ao ver que se mantém a clientela do « casaco de peles». O «casaco de peles»comporta um duplo sentido; para além da desnecessária opulência e de algum mau gosto, as suas donas mexem-se, segredam, dão um movimento ritmado ao programa que têm nas mãos, provocando um ruído surdo, impertinente, irritante e que, sem dúvida, significa uma total ausência àquilo que está a acontecer. Até tocou um TM num daqueles momentos de transcendente melancolia, tão bem conseguidos, na 4ª de Chopin.
E o tema que preocupava duas dessas damas situadas imediatamente atrás de mim, era se estaria a chover à saída, porque as peles do casaco, embora já o tivesse levado à Dinamarca, Suécia e não sei mais quê,nunca tinha apanhado chuva. Já o da outra era à prova de água. E então o raciocínio brotou eloquente: «sabes, deves comprar peles de animais que se molham» sic.
Havia muita gente muito atenta, isso é verdade.
Mas esta plateia fez-me lembrar a resposta dada por Chopin aos 7 anos, quando lhe perguntaram, de que é que a assistência teria gostado mais, depois do seu recital : «… da GOLA DA MINHA CAMISA».
C.C.