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Arquivo da Categoria: Histórias

conto

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O cão do Carreira

O MEDO DE UM CÃO QUE METIA MEDO

Era feroz o animal. O ladrar parecia o bramido da tempestade. Cavo e profundo como o urro do leão. Não latia nem gania; mas ladrava, sempre furioso e ameaçador. De musculatura forte e vigorosa, ele arremetia sempre, provocado ou não. O pêlo era pedrês e da cor-do-monte; a boca amplamente rasgada, de rebordos pretos, tinha um instinto altivo e indomável.

Entre os rapazes da escola e ele, abria-se um profundo fosso de difícil reconciliação; por isso, quando se encontravam, travava-se entre eles feroz e renhida luta. O campo de batalha era o largo fronteiro à casa de habitação – o Largo das Oliveiras.(…)

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Obrigada

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2009 Maio 26
O comentário

O Monte de S. Félix… e a infância da menina que esculpia no prato. O sol a entrar nas janelas da sala de jantar que mais tarde conheci. A luz ali à volta a entrar pela casa dentro. O cheiro das maçãs e das pêras nas prateleiras da casa, o verde sombra das árvores de fruta, a agitação do pombal, a capoeira em baixo. A Ana sempre atenta a tudo o que se falava. Sempre pronta a defender a sua Menina, que lhe ensinava a cartilha desde os três anos. Mas a traquina fazia malandrices que não ficavam em nada atrás, das tão bem e genialmente contadas pelos miúdos de Frederico Fellini. A malandrice, a alegria de inverter a ordem das coisas instituídas, a vontade de refazer as formas, de repensar as ideias, de não ir por ali… de rir a bom rir.
Mas o Monte de S. Félix, bem acima do vale da aldeia, era um lugar de fora de casa, do imaginário da liberdade da serra, do vento nas velas dos moinhos, da vista que de lá se alcançava, onde não se ia com facilidade. E depois de lá era o mar.
“É o Monte de S. Félix” dito em jeito de autorização, de consentimento no “mau comportamento” à mesa… mas só porque “parecia mesmo”. E o consenso vinha na expressão de uma liberdade de criança que não foi de todo a despropósito. A liberdade de ser e crescer.

Beijinhos, parabéns

jocapi

a maçã e o monte de s. félix

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O corte laminado e  de pequenas dimensões  de uma maçã, originou o reparo do avô à neta  que, dada a minha passividade, esta  foi  interpretada como  uma  anuência  a um procedimento considerado impróprio para se ter à mesa. Na verdade, não só estava de acordo,  como através dele sentia  uma nostálgica recordação que só o tempo muito  longo nos permite experimentar.

E então vi-me da mesma idade a amassar tudo o que me colocavam no prato,  dando-lhe a forma cónica de um montículo, e colocar pequenas fatias de boroa moldadas de forma a significar uma  capela, um obelisco e moinhos de vento; tal como agora, a repreensão da minha Mãe não demorava, e o meu Pai preocupado com a interrupção  produzida em tão espontânea  criatividade, interceptava diligente: “é o monte de S. Félix”.

A Ana, empregada desde os meus três anos,  que noutro local já referi,era o meu segundo apoio e logo atalhava:

“oh menina, parece mesmo!”

A Mãe rendida, lá condescendia sempre……

A gola da minha camisa

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Salão Árabe

Integrado no Ciclo de Piano do Palácio da Bolsa, assisti  no passado dia 4,  ao recital de Fausto Neves; e o meu comentário, sem críticas musicais, vai para o acontecimento. Isto porque, não pertencendo por formação à área de música, seria um duplo atrevimento comentar o que não sei,  no blogue de uma pianista.

Quero antes de tudo, manifestar o apreço e satisfação que tive  ao ouvir Fausto Neves, o  que de resto já lho testemunhei, numa programação  bem conhecida e tão do meu agrado:

Sonata de Beethoven (Pastoral)

Balada nº4 de Chopin

Kreisleriana de Schumann

Mas já há alguns anos que não ia a recitais no Palácio da Bolsa; e a minha perplexidade estacou ao ver que se mantém a clientela do « casaco de peles». O «casaco de peles»comporta um duplo sentido; para além da desnecessária opulência e de algum mau gosto, as suas donas mexem-se, segredam, dão um movimento ritmado ao programa que têm nas mãos, provocando um ruído surdo, impertinente, irritante e que, sem dúvida, significa uma total ausência àquilo que está a acontecer. Até tocou um TM num daqueles momentos de transcendente melancolia, tão bem conseguidos, na 4ª de Chopin.

E o tema que preocupava duas dessas damas situadas imediatamente atrás de mim, era se estaria a chover à saída, porque as peles do casaco, embora já o tivesse levado à Dinamarca, Suécia e não sei mais quê,nunca tinha apanhado chuva. Já o da outra era à prova de água. E então o raciocínio brotou eloquente: «sabes, deves comprar peles de animais que se molham» sic.

Havia muita gente muito atenta,  isso é verdade.

Mas esta plateia fez-me lembrar a resposta dada por Chopin aos 7 anos,  quando lhe perguntaram, de que é que  a assistência teria gostado mais,  depois do seu recital : «… da GOLA DA MINHA CAMISA».

C.C.

A nascente do Alviela e os morcegos

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A nascente do ALVIELA é uma das mais profundas do mundo e está localmente associada com um complexo de grutas que representa o fenómeno cársico fluvial mais significativo de Portugal.Situada no concelho de Alcanena, é um local que se recomenda visitar.
Foi o que fiz.E ao penetrar no «santuário» dos morcegos cavernícolas que lá existe,( o Quiroptário)falou-se das velhas histórias que ao longo dos tempos se contam sobre os morcegos. E a minha memória imediatamente me fez lembrar, o morcego que durante as noites quentes de verão, na minha infância,entrava pela janela do quarto que era obrigatório manter aberta.
O morcego em voo rápido, percorria o quarto e saía.
O morcego é um «rato com asas», mas é bom para comer os «trompeteiros», não faz mal. Dizia-me a Ana, empregada lá de casa desde os meus 3 anos e que lá permaneceu………Ela sabia coisas!…e eu acreditava, mas sempre tapava a cara com a dobra do lençol, espreitando com os olhos bem abertos até o ver sair.
No quiroptário aprendi que os morcegos comem 600 mosquitos/minuto.Seria então por isso, que o tal morcego entrava e saía rápido.

Retirado do Ponto de Vista

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