Arquivo da Categoria: Desvarios
Vende-se
A cidade do Porto continua à venda, é a vez do Mercado do Bolhão.
O filme é de Renata Sancho, e foi retirado daqui Read the rest of this entry
Protesto 14 de Junho pelo Rivoli
(E-mail acabadinho de chegar)Para os que por variadas razões não puderam assistir à reunião na ACE ontem à noite, envio um resumo prático da acção que foi decidido levar a cabo no próximo dia 14 de junho, quinta-feira, uma hora antes da estreia do musical Jesus Cristo Super Star, de Filipe La Féria. Este protesto é SILENCIOSO, embora não sem palavras, dado que estão designados três porta-vozes. É simbólico, e pretende agregar toda contestação ao processo de que é alvo o Rivoli pela parte da CMP, sendo particularmente importante juntar um máximo de pessoas, de todas as áreas e de fora do “meio” das artes. SÓ FAZ SENTIDO SE FORMOS MAIS QUE AS MÃES.
Acrescento que existe um projecto de protesto paralelo e solidário em Lisboa, para esse acto contactemo o João Costa: joao_mm_costa@yahoo.com.
contacta ao máximo pessoalmente quem achares bem, não faltes, TRAZ DEZ AMIGOS TAMBÉM.
Até lá, abraço
O acto de protesto do dia 14 de Junho será silencioso. Em jeito de happening minimal. Contamos com a presença de 500 pessoas (mas quantas mais melhor…), partindo do princípio de que cada um será capaz de mobilizar pelo menos 10 participantes, As pessoas sentar-se-ão, a partir das 20h30 em ponto, nas lajes brancas que revestem a parte central da praça D. João I, de cabeça virada para o Rivoli e aí permanecerão mudas e quedas até os nossos «directores de cena» – Joclécio Azevedo, Inês Maia, Catarina Falcão, Pedro Carvalho, Igor Gandra – darem ordem de desmobilizar, o que acontecerá pelas 21h30, hora a que o espectáculo deverá ter começado dentro do teatro. Telemóveis desligados, obviamente. Trata-se de sublinhar pela postura dos presentes o carácter simbólico do protesto. Ninguém nem mesmo as «personagens mais mediatizadas» pelo caso Rivoli prestará declarações durante o protesto silencioso. As pessoas sentadas que venham porventura a ser interpeladas por agentes da comunicação social deverão responder que se trata de um protesto silencioso e remeter os jornalistas para os três porta-vozes escolhidos durante a reunião de 4/6, a saber: Lino Miguel Teixeira, José Luís Ferreira e Helena Guimarães. Após a desmobilização, cada um poderá, claro está, agir consoante lhe aprouver, neste preciso aspecto. Está ser preparado um pequeno panfleto, cujo conteúdo foi debatido em reunião, em que se explicam as razões do protesto. Resumidamente: responder ao silêncio cínico da CMP com o silêncio do nosso descontentamento.
É indispensável, nesta altura, que cada participante tente mobilizar pessoalmente o maior número possível de cidadãos, transmitindo às pessoas convidadas a juntar-se a nós estas indicações básicas: trata-se dum acto «performativo» destituído de espectacularidade mas que se pretende carregado de intensidade simbólica. Nada disto parece muito difícil mas não deixa de ser verdade que, em tempos de exponencial mobilidade, forçada ou voluntarista, o simples acto de «estar», no seu despojamento, constitui por si só um desafio.
, nem mesmo as «personagens mais mediatizadas» pelo caso Rivoli prestará declarações durante o protesto silencioso. As pessoas sentadas que venham porventura a ser interpeladas por agentes da comunicação social deverão responder que se trata de um protesto silencioso e remeter os jornalistas para os três porta-vozes escolhidos durante a reunião de 4/6, a saber: Lino Miguel Teixeira, José Luís Ferreira e Helena Guimarães. a desmobilização, cada um poderá, claro está, agir consoante lhe aprouver, neste preciso aspecto.
Está ser preparado um pequeno panfleto, cujo conteúdo foi debatido em reunião, em que se explicam as razões do protesto. Resumidamente: responder ao silêncio cínico da CMP com o silêncio do nosso descontentamento.
É indispensável, nesta altura, que cada participante tente mobilizar pessoalmente o maior número possível de cidadãos, transmitindo às pessoas convidadas a juntar-se a nós estas indicações básicas: trata-se dum acto «performativo» destituído de espectacularidade mas que se pretende carregado de intensidade simbólica.
Nada disto parece muito difícil mas não deixa de ser verdade que, em tempos de exponencial mobilidade, forçada ou voluntarista, o simples acto de «estar», no seu despojamento, constitui por si só um desafio.
Concursos (de pequenino se torce o pepino)
Porque eu estive lá, não resisti em publicar na integra a apreciação que o Ponto de Vista faz sobre a 2ª edição do concurso de piano Marília Rocha.
Aconteceu a semana passada em Vila do Conde. Concurso de piano e violoncelo Marília Rocha.
Assisti à prova do dia 31, de piano, para crianças até 9 anos, na minha qualidade de reformada e com tempo para isso. Não sou profissional de música, tive um ensino rudimentar de violino nos anos 40/50, onde isso vai ………mas sou uma ouvinte muito atenta; e graças a Deus e graças à Gulbenkian tenho ouvido coisas muito boas, haja em vista o programa com que ela nos presenteou este ano.Pois muito bem, alegres e desenvoltas as crianças lá foram tocando, duas peças à escolha e uma imposta (Eu sou um coelhinho de Helder Gonçálves).
Quando tudo ia bem, levanta-se uma concorrente sentada na primeira fila, diferente das outras.
Cabelinho “escalado”, roupa muito alinhadinha, a condizer, postura aparentemente serena, e veio-me à memória, a menina de outros tempos de fitas de veludo no cabelo a apanhar caracóis, sapato de verniz, vestido armado de organza; esta, era a edição moderna desse modelo.
E não é que tocava Chopin?!
Os dedos ágeis, a memória fresca (não houve brancas) mas, onde estava Chopin?
Será possível, até 9 anos, entender Chopin? Mas Chopin não escreveu para crianças. Coitado do Chopin, já lhe vimos atribuir concertos de violino pelo representante da Cultura deste nosso País, mas assassiná-lo deliberadamente com apoio e consentimento de responsáveis é bastante pior.
O intérprete, interpreta. Quem interpreta precisa de saber o quê, logo tem que entender; depois de entender tem de transmitir aos outros.
Mexi-me na cadeira algumas vezes, enquanto a criança tocava, ansiosa que ela terminasse. Desejei que ela tivesse uma branca e parasse ali.
Não se deveria aceitar programação fora de uma escrita adequada à idade. Até aos 9 anos a vivência que Chopin exige ainda está para vir. Começará em alguns casos na adolescência. De que estavam à espera, de um prodígio? Os prodígios contradizem o que eu estou a dizer, criam a sua identidade, estão fora da escala, por isso mandam à merda concursos destes. Esta menina não foi o que fez.
Ouvi crianças a tocar o Coelhinho com enorme sabedoria porque a música lhes dizia alguma coisa; uma delas fez um pianíssimo no final depois de um desenvolvimento saltitante, que não se pode esquecer.
Ouvi um Bartok admiravelmente arrogante e impetuoso; Mozart, livre, rebelde, irrequieto.
Estas crianças entendiam o que estavam a fazer.
No dia seguinte, fui ao concerto dos laureados, e a tal menina lá estava outra vez porque foi a escolhida.
Senhores Jurados, rompam com este atavismo cego, neste caso surdo, de premiar quem vem empurrado por “quem”.
Olhem e ouçam os anónimos como algumas daquelas crianças que tocavam tão bem, cientes e compenetradas mas que não tiveram quem as “empurrasse”. E depois foram todas as que “sobraram” metidas no mesmo saco; as boas, as melhores, as assim assim.Pôrra, escaqueirem a loiça de uma vez por todas……….
(Salvador Dali)



