A este cantar de moças
Menina fermosa,
que nos meus olhos andais,
dizei porque mos quebrais.
Em vos vendo, vo-los dei:
logo vos passastes i;
nunca mais olhos abri,
nunca mais olhos çarrei.
Vós lhe sois regra, vós lei:
não fazem menos nem mais
daquilo que lhes mandais.
Em pago desta verdade,
que estranhais porque não se usa,
quebrais-mos… A alma confusa
não sabe quebrar vontade.
Menina, contra a idade,
contra todos os sinais,
cruel sois cada vez mais.
Tomais vingança da fé
que sempre convosco tive,
ou de quê? da alma que vive
por vós, onde quer que esté?
Dizei, menina, porqu’é?
Tam vossos olhos quebrais?
Não vo-los referto mais!
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Sá de Miranda
