Mais uma vez o
Tónica Dominante fez referência
aqui ao famoso relatório de avaliação do Ensino Artístico. No excerto publicado, o Ministério da Educação tenta justificar a existência de aulas individuais de instrumento, unicamente por se assistir a uma redução do nº de alunos no decorrer do século XX, não considerando por isso que possam existir certas especificidades no Ensino Artístico que obriguem a sua pratica.
Vejamos então novamente o relatório:
“O ensino da Música é actualmente disponibilizado em 6 conservatórios públicos, 98 escolas de ensino particular e cooperativo e em 7 escolas profissionais”
“Tem havido um número crescente de alunos que pretende estudar nos conservatórios públicos, verificando-se que a oferta existente não consegue responder satisfatoriamente à procura. Mesmo para os chamados cursos de iniciação há sempre bastantes mais pedidos de ingresso do que vagas existentes. No que se refere ao curso básico e ao estudo da maioria dos instrumentos a procura chega a ser três vezes superior à oferta que os conservatórios conseguem organizar. Para certos instrumentos pode haver 8 vagas para mais de 100 candidatos!”
Afinal sempre há muitos alunos!
Daqui conclui-se que:
“Uma expansão de oferta de cursos de natureza artística deverá ser construída equilibradamente (…) A refundação das escolas públicas do ensino especializado da Música e Dança, que deverá prever uma rede mais alargada da oferta actualmente existente, sem que tal signifique necessariamente a criação de mais conservatórios.”
Agora baralhei-me!
O que fazer a todos estes alunos que pretendem estudar música, e que sistematicamente ficam excluídos do ensino?
“Parece óbvio e os resultados deste estudo confirmam-no que a oferta de disciplina de natureza artística no ensino básico genérico é no essencial adequada”
Agora já percebi: os mais pobrezinhos têm que se contentar com as actividades de “desenriquecimento” curricular oferecidas pelas escolas de ensino regular, enquanto que os mais afortunados poderão pagar uma propina nas escolas particulares de Ensino Artístico Especializado. É isto a verdadeira democratização do ensino.
